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CAVALHADAS

Na Idade Média, os árabes foram denominados genericamente de mouros. Estes povos invadiram a Europa por volta do século VIII e só foram banidos do continente europeu no século VX. Originária dos torneios medievais, as Cavalhadas nasceram nos anos do reinado de Carlos Magno coroado imperador do Ocidente no ano 800 pelo Papa Leão III, com a finalidade de reviver as vitórias do Cristianismo sobre o Islamismo na Europa.

As Cavalhadas eram apresentadas principalmente na Espanha e Portugal, visando revitalizar o patriotismo das duas nações, quase descaracterizadas pelo prolongado domínio dos mouros na Península Ibérica. Trazidas ao Brasil pelos portugueses, ainda no século da descoberta, sobrevivem até os dias atuais, em vários estados, sendo realizadas geralmente no dia de Pentecostes.

Alguns historiadores acreditam que as Cavalhadas tenham sido introduzidas no Brasil pelos padres jesuítas como meio de facilitar a catequese através da junção entre o sagrado e o profano.

Em 1936, o deputado João Batista de Almeida, com a ajuda de Francisco Correia de Oliveira, resolveu levar para a cidade de Taguatinga a velha tradição ibérica, que teve como seu primeiro imperador Martinho Taguatinga. Transcorreu-se um ano para que as Cavalhadas ocorressem de fato. Em 1937 o imperador foi João Batista de Almeida, o idealizador das Cavalhadas, com realização na Igreja Matriz ainda em construção, coberta na época com palhas. A partir de então tivemos os seguintes imperadores: 1938: Agenor Godinho, 1939: João Gonçalves Lima, 1940: Justino José de Almeida, 1943: Manoel da Silva Guedes, 1946: Tarcílio do Carmo.

Após 1946, aconteceu um longo período de recesso, que chegou ao fim somente nos anos 90 quando foi criada em Goiânia e Taguatinga uma Comissão de pessoas dinâmicas, criativas e dedicadas, dispostas a retomar e organizar a realização das Cavalhadas. A partir de 2000 as Cavalhadas passaram a ser organizadas pela Prefeitura Municipal de Taguatinga, na época o prefeito era Paulo Roberto Ribeiro. Desde então a Prefeitura   Municipal tornou-se a organizadora  do evento.

 Em 1997, cavaleiros mouros e cristãos voltaram a percorrer o campo de batalhas da cidade, e tiveram como seu imperador  Gervalino Almeida. Em 1998 o imperador foi Antônio José Ribeiro; em 1999:  o imperador Darlan Ediçon Godinho e a primeira madrinha das Cavalhadas: Deusélia Freire Godinho; em 2000: juntamente com o imperador Belarmino José de Almeida e a  madrinha Zeila Aires Antunes Ribeiro,   surgiram as primeiras rainhas: moura Débora Almeida Viana e cristã Viviane Fontana; em 2001: o imperador  Renivaldo Tavares Carvalho, a madrinha Maria Nilza Ribeiro Cândido e as rainhas: moura Ana Karolina Almeida Moreira e cristã Tauane Ribeiro; em 2002: o imperador Luso Mário José Pereira,  a madrinha  Isa D’Abadia Almeida Leão e as rainhas: moura Tamires Ribeiro de Almeida e cristã Nadyne Camilla Queiroz Santana; em 2003: o imperador Sílvio Almeida Taguatinga, a madrinha  Salete Soletti Soares e as rainhas moura Nara Núbia Lima de Castro e cristã Zenóbia Naves Cordeiro; em 2004: o imperador Aniton Correia de Oliveira, a madrinha Sandra Regina Vieira Lima Zanella e as rainhas moura Karine Dias Gomes e cristã Viviane Cordeiro; em 2005: o imperador Carlito José Johner, a madrinha Maria de Fátima Ribeiro e as rainhas moura Ytila Naiara Freire e Michele Rangel; em 2006 o imperador Vicente de Paulo Cândido, a madrinha  Wilna Maria Ferreira Lima e as rainhas moura Mariana Ribeiro de Almeida e cristã Vanessa Alves da Mata; em 2007: o imperador João Martins, a madrinha Liana Evangelista Barcelar e as rainhas moura Luara Ferreira Lima e cristã  Lillian Mayane de Oliveira; em 2008 o imperador  José Aldir Almeida, a madrinha Laildes Carmo Almeida Magalhães e as rainhas moura Angélica Monteiro de Azevedo e cristã Ingrid Bertol; e em 2009: o imperador Edimar de Souza Regino,  a madrinha  Ilza Maria Vieira de Souza e  as rainhas moura Danielle Silva Godinho e cristã Diva Mariana Moreira.

Em Taguatinga, no sudeste do estado do Tocantins, as Cavalhadas acontecem durante os festejos de Nossa Senhora D’Abadia, no mês de agosto. O ritual se inicia com a benção das argolinhas e dos cavaleiros pelo sacerdote, a entrega das lanças ao imperador, usadas nos treinamentos para a batalha, simbolizando que estes estão preparados para se apresentarem em louvor a Nossa Senhora D’Abadia e em honra ao imperador.

As Cavalhadas são formadas por vinte e quatro cavaleiros. Doze representam os cristãos e trajam cor azul, e doze representam os mouros trajando a cor vermelha. O número de doze cavaleiros em cada grupo, representa o conflito medieval que ficou conhecido como “A Batalha de Carlos Magno e os 12 Pares de França”, um dos símbolos da resistência e avanços da religião cristã na luta por terras e novos fiéis. Os diálogos entre embaixadores sarracenos e cristãos apresentados no campo, foram elaborados a partir de romances de cavalarias.

O ritual da luta entre mouros e cristãos é antecedido pelo desfile dos caretas pelas ruas da cidade, que depois se dirigem ao campo de apresentação das Cavalhadas. É um grupo de mascarados representando o imaginário medieval de bruxas, caras de boi, chifres e outros animais. Os cavalos usados pelos caretas, são enfeitados com flores e portam instrumentos que produzem um som que os identifica.

No campo de apresentações acontece a entrada do cortejo do imperador e da madrinha, com cavaleiros mirins, princesas, grupo de pastorinhas. A imagem de Nossa Senhora D’Abadia também está presente neste momento, seguida dos festeiros da padroeira de Taguatinga. As rainhas entram no campo a cavalo portando as bandeiras de seus reinos. Logo após, cavaleiros mouros e cristãos iniciam o espetáculo que tem duração de dois dias, com os guerreiros apresentando corridas e competições que remontam o passado histórico medieval.

O espetáculo de cores, brilho e sincronia é uma simulação de luta, que os cavaleiros representam através de evoluções e movimentos de espada, lança e garrucha. Uma batalha de cunho religioso entre mouros e cristãos, onde os cristãos são os vencedores, acontecendo assim a “submissão” dos mouros ao Cristianismo, através do batismo destes, que acontece no campo com a presença do Pároco da Igreja de Nossa Senhora D’Abadia.

Com informações da ACATA (Associação das Cavalhadas de Taguatinga).


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